quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A crise da República

O centenário de 2010 só será útil, se abordar as circunstâncias e causas do definhamento e queda da I República. O ano de 2010 vai ser ocupado de largo a largo pelas comemorações dos cem anos da República. Vamos ler, ver e ouvir a evocação da efeméride de forma constante e reiterada. É bom reavivar a memória colectiva, em geral tão desprezada em Portugal. Mas de preferência essa lembrança deverá ser analítica e projectiva, ajudando a interpretar e iluminar o presente, sem o que se limitará a lampejos académicos sensaborões, e, ao fim e ao cabo, desinteressantes
E o centenário de 2010 só será assim útil, se abordar as circunstâncias e as causas do definhamento e afinal da queda da I República, não se cingindo a proclamações laudatórias de estilo serôdio e provinciano.
Ora por que é que a República de 1910 caiu fragorosamente menos de 16 anos depois de instaurada? Por um conjunto de razões/vícios que podem ser enumerados como segue: deterioração acelerada da força do Estado; esfarelamento e descredibilização das instituições, a começar pela justiça; mediocralização assustadora da qualidade dos agentes políticos, principalmente dos governantes; consequente e progressiva incapacidade dos governantes para resolver e sequer encarar os verdadeiros problemas do país; crise dos partidos, minados pelo clientelismo e pelo caciquismo; instabilidade permanente, ingovernabilidade; galopante buraco das finanças públicas (dizia-se então: iminência da bancarrota), com o aumento descontrolado da dívida externa e a degradação da imagem externa de Portugal nas praças financeiras internacionais; afastamento sistemático da população face ao regime, atitude confirmada na abstenção sempre em alta nos actos eleitorais; corrupção generalizada; baixa do poder de compra dos cidadãos; aumento do fosso entre pobres e ricos, miséria, desemprego.

Esta enumeração soa-vos familiar? Parece-vos que ela encaixa como uma luva em qualquer coisa muito próxima? Sim, é verdade, ela reflecte mimeticamente o que se passa agora entre nós. O país de 1910 e o país de 2009 assemelham-se como duas gotas de água em termos institucionais, políticos e económico-financeiros, se exceptuarmos as inevitáveis características epocais de quase um século de História.


Público – A crise da República, Sebastião Lima Rego

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sir Bobby Robson

"Remember, we are champions, and champions never lose important games.
I want our president to telephone me after a great victory.
You can do it
You will do it
Todos Lutar
todos confidence
todos cemporcent
Muito courage
Boa sorte todos
Vamos ganhar!!"

Sir Bobby Robson escreveu estas palavras para serem lidas aos jogadores do Porto, quando estava internado num hospital em Inglaterra para ser operado, não podendo por isso sentar-se no banco. Estas foram lidas pelo Presidente Pinto da Costa aos jogadores no balneário, momentos antes da final da Supertaça de 1995, nas Antas contra o Sporting.
Ainda bem que tive o privilegio de ver este grande treinador sentar-se no banco do Porto, durante tanto tempo, mesmo à minha frente.
Tenho pena que hoje, o homem que lá está sentado não tenha esta maneira de ver as coisas...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Arte e o seu contexto

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito desce na estação do metro de Washington , vestindo jeans, camisa e boné. Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado por quem passava. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Alguns dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares.
A experiência no metro, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa, realizada pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte. A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num determinado contexto.
Esta historia pode ser lida aqui
Aqui ficam as imagens deste momento improvável.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Historia na palma da mão...

Muito se tem falado, principalmente nos últimos anos, de outros tempos, de outras tradições, de outras governações.
Muita gente diz agora, que no tempo do Estado Novo é que havia sentido de estado e respeito pela "coisa" publica. Não havia liberdade mas havia respeito.
Eu não sei se havia respeito ou não, porque a minha existência é posterior, e, nestas coisas, gosto de fazer o meu próprio julgamento, talvez por isso não teria sido do meu agrado, viver numa sociedade em que o livre arbítrio não faz parte dos direitos fundamentais.
Mas também não é sobre essa questão que me proponho escrever hoje, mas sim fazer o relato de uma experiência pessoal.
Há alguns anos, não muitos, tive a oportunidade de pertencer a um grupo de pessoas, que teve como função dar um parecer sobre a questão do museu do estado novo, em Santa Comba Dão.
Para tal, entre muitas outras coisas, tive de passar alguns dias a conversar com o sobrinho de Oliveira Salazar, em sua casa, e de visitar e analisar o espólio pessoal do antigo Presidente do Conselho, na cave da sua antiga casa.
O espolio é vastíssimo e tem um pouco de tudo. Documentos oficiais, documentos pessoais, todo o tipo de objectos pessoais, uma vasta colecção de moedas, uma outra de selos, cadernos cheios de cartões de visita das mais variadas personalidades nacionais e internacionais.
Dessa experiência de consulta podia contar muitas coisas curiosas que encontrei, como o Orçamento Geral do Estado de 1933, escrito à mão num caderno quadriculado, até mapas de Angola e Moçambique, com anotações do próprio Salazar, cartas da fadista Amália de carácter, digamos, muito pessoal, acabando em cartas do Führer Alemão Adolfo Hitler, etc. A lista é muito longa e absolutamente fascinante.
Mas houve duas coisas que verdadeiramente me deixaram estupefacto, uma carta escrita e assinada por ele, e outra, um objecto histórico de valor incalculável, que tive oportunidade de ter na minha mão.
A primeira trata-se de uma carta escrita à mão, numa caligrafia muito bem desenhada e bastante perceptível, datada e assinada. Não sei reproduzir "Ipsis verbis" o que la estava escrito, mas era qualquer coisa deste género: no dia X do mês Y, desloquei-me, em viagem privada, a Santa Comba Dão. Para tal, utilizei o carro do estado, e requisitei o motorista Z para me conduzir ate lá. À Saída o carro tinha X km e quando cheguei tinha Y. A gasolina que meti foi do valor Z, que deve ser descontado ao meu ordenado no final do mês, assim como o valor X que calculo corresponder ao desgaste do carro por ter feito a viagem. O salário do motorista correspondente a um dia de trabalho, deve também ser descontado ao meu salário no final do mês.
Fiquei estarrecido. Mas que raio de contraste é este, tão absolutamente recto na análise do Estado e das suas despesas, e, depois, tão pouco tolerante e mesmo castrador das liberdades individuais dos seus cidadãos?
A segunda historia, também aconteceu nessa semana, passada na casa do ex-ditador. A certa altura, o sobrinho, no meio de uma parafernália das mais altas condecorações de vários países, espalhadas em cima de uma mesa, mostra-me um pin, muito pequeno, que percebi logo ser em ouro maciço. E este? o que acha deste pin? perguntou ele naquele ar muito próprio e até meio sinistro. Pus o pin na palma da minha mão e reparei imediatamente que tinha o símbolo da casa real portuguesa. "Este era o pin que o Rei D. Carlos usava na lapela da casaca, no dia em que foi assassinado no Terreiro do Paço em 1908." Fiquei igualmente estarrecido! "Quem o ofereceu ao meu tio foi a Rainha D. Amélia, num encontro privado que teve com ele"
Não queria acreditar!! O Pin que o Rei D. Carlos usava no dia em que foi assassinado estava na minha mão! A isto se chama ter a historia na palma da mão...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Carta de Francisco Louçã ao Pai Natal

Isto não é uma carta!
É um manifesto. Um protesto. Uma petição
Assinada por dezenas de intelectuais
E outras pessoas que jamais
Se reviram numa festa
Bacanal
Orgia de oferendas
Dadas sem qualquer critério
E que perpetuam uma tradição
Caduca. Reaccionária. Clerical.
Que tu representas oh pai do natal.
Com esta petição pretendemos
Que a data seja referendada
Não imposta, decretada
Por um estado economicista e liberal
E que seja celebrada quando um homem quiser
Não à roda da mesa. Consoada.
Mas num portuguesíssimo arraial.

Recebido por mail.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

D. Manuel Clemente


O vencedor deste ano do Prémio Pessoa foi atribuído a D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, que se torna no primeiro membro da Igreja a ser distinguido nos 23 anos do galardão.
Manuel José Macário do Nascimento Clemente, 61 anos, bispo do Porto desde 2007, é licenciado em História, pela Faculdade de Letras de Lisboa e em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa. Foi ainda coordenador do Conselho Presbiteral do Patriarcado desde 1996, director do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e coordenador da Comissão Preparatória da Assembleia Jubilar do Presbitério para o Ano 2000. D. Manuel Clemente é conhecido pelo seu espírito comunicativo e interveniente. Em 2008, foi o primeiro bispo português a usar o YouTube para transmitir a mensagem de Natal. (Jornal i)

D. Manuel Clemente é o autor de uma vasta obra historiográfica, com destaque para títulos como: “Portugal e os Portugueses” e “Um só propósito” publicados em 2009, “Igreja e Sociedade Portuguesa, do Liberalismo à República” e “Nas Origens do Apostolado Contemporâneo em Portugal- A Sociedade Católica (1843-1853)”.

Considerado por muitos, como uma das pessoas mais influentes da Igreja Católica Portuguesa, o Bispo do Porto, é também uma reconhecida figura do meio intelectual português.
Este prémio, bem como a conduta de D. Manuel Clemente, mostra bem o papel que a Igreja pode ter numa sociedade que se debate com problemas sérios ao nível dos valores morais e cívicos.
Consegue fugir ao chavão clássico de membro do Clero, distante das pessoas e ultrapassado na sua concepção da sociedade, e mostra uma faceta de modernidade e sobriedade, muitas vezes tão difícil de conseguir por parte da Igreja.
A Igreja Católica, não nos esqueçamos, tem tido um papel fundamental na actual situação económico-social do país. Tem feito um trabalho notável a nível social, de ajuda e, muitas vezes, tábua de salvação para muitas famílias, especialmente nas pequenas paroquias do país.
O problema é que, frequentemente, é dado mais eco na comunicação social a questões que sejam susceptíveis de causar polémica por parte da igreja, do que ao trabalho, reconheça-se, meritório de ajuda e solidariedade social.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O circo de que eu falava!

Capítulo II, Artigo 10.º do Estatuto dos Deputados,

"Os Deputados não respondem civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitirem no exercício das suas funções e por causa delas."

Ora ainda bem, porque com esta disenteria verbal, ia ser bonito...



PS: Reparem que, no final, o Deputado João Semedo se insurge, em defesa dos palhaços e esquizofrenicos. A cereja no topo do bolo!!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O país do Serafim Saudade

Há uma altura em que devemos dizer basta!
Já chega de vigarice e compadrio. Já chega de ser um país abaixo do razoável, já chega de ser um país movido pela inveja alheia e pelas cunhas.
Já chega de sermos um país de "eu conheço um gajo que é amigo do zé Joaquim, que é primo do vice-presidente da jota, que por sua vez conhece o Sousa, assessor do adjunto do secretário de estado adjunto de qualquer coisa"
A falta de meritocracia é tão fatal como o destino, e se continuarmos a caminhar neste sentido, não há solução possível.
Mas o povo verdadeiramente não sabe, nem quer saber... O povo, está visto, quer pão e circo.
Circo já tem, basta ver os telejornais, o problema vai ser quando acabar o pão...

E então se assim é, vamos lá:
Serafim, Serafim...



PS: Palavras escritas no dia em que o Sousa, esse mesmo (assessor do adjunto do secretário de estado adjunto de qualquer coisa), me nomeou para chefiar um serviço público do qual não faço a ponta de um corno de ideia de como funciona, nem para que serve!
Viva Portugal!!!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mário Soares

Interessante, esta entrevista de Mário Soares ao Jornal i, no dia em que faz 85 anos.
Fala de Norton de Matos, Salazar, Humberto Delgado, Álvaro Cunhal, o regime, o escândalo ballet rose, a actualidade política nacional, José Sócrates e Manuel Alegre. Retrato do país que fomos e que somos.

Achei particularmente importante a resposta sobre Manuel Alegre, que faz manchete à entrevista. Nesta altura do campeonato não há declarações destas sem um objectivo político...

"E como é que se sente hoje perante Manuel Alegre?

Fui durante muitos anos amigo dele, tínhamos um contacto quase diário. Eu gosto dele, dou-me bem com o temperamento dele... Mas não aprecio a maneira como se tem comportado como militante do PS. Com um pé dentro e outro fora..."

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Amaro da Costa


Faz hoje 29 anos que morreu Adelino Amaro da Costa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

30 de Novembro!

Faz hoje cinco anos, mais ou menos por esta hora, que aprendi uma grande lição de vida.
Depois de estar um ano a trabalhar no Ministério dos Negócios Estrangeiros, recebi um convite para regressar ao Porto, para trabalhar na área da cooperação internacional de um orgão público sediado no Porto.
Na altura tinha muita vontade de regressar, e nem hesitei em aceitar. Fiz as malas, preparei a mudança de cidade, e precisamente neste dia, quando passava na portagem de Alverca, olhei para o retrovisor e vi os meus últimos cinco anos passados em Lisboa, a ficarem para trás. Na altura, nada de saudosismos, estava mesmo com vontade de regressar!
Passados poucos minutos, ouço, na TSF, o Presidente Jorge Sampaio a comunicar ao País que ia dissolver a AR e demitir o governo. Naquela mesmo momento senti um arrepio na espinha, percebi de imediato que o convite ia ficar congelado, porque nestas coisas, é mesmo assim...
Foi no dia 30 de Novembro de 2004 que aprendi que no trabalho, como na vida, "you can't take things for granted"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Politics

Hoje, em conversa, recordei um episódio engraçado e curioso, que me aconteceu há dois anos durante a Cimeira UE-África, organizada pela Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.
Quando entrava na gigantesca sala de reuniões, especialmente concebida para o efeito, acompanhado por um importante membro de uma casa real europeia (que por razoes óbvias não vou dizer quem é), este perguntou-me a minha idade. Respondi que tinha trinta anos, ao que ele retorquiu: "quando eu tinha a tua idade, se se fizesse uma reunião destas, não havia necessidade de ter uma sala tão grande, porque África era de seis ou sete países europeus, incluindo o teu! Nessa altura - continuou ele - para se tratar das questões africanas reuníamo-nos meia dúzia de pessoas e não havia este circo todo. "
Meia hora mais tarde, vejo a sua intervenção na Cimeira, em directo para várias televisões do mundo, a falar da importância das relações com África, e com os lideres africanos!

I suppose that's politics!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

25 de Novembro sempre!

25 de Novembro!

Os meu profundo agradecimento ao General Jaime Neves e ao General Ramalho Eanes, e a todos os que tornaram possível um contra-golpe ao golpe militar por parte da esquerda militar radical, no dia em que se assinalam 34 anos sobre o 25 de Novembro de 1975.
Tudo para evitar que o país caísse nas mãos dos totalitaristas comunistas.

Vídeo da ocupação de uma herdade no Alentejo, e da tentativa de reforma agrária levada a cabo pelos comunistas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A oculta triste face do país

A avalanche de noticias é tão grande que não há maneira de fugir ao assunto.
Portugal está mergulhado num caos de corrupção, tráfico de influências, e demais assuntos obscuros.
Se o país fosse uma empresa há muito que tinha fechado portas, ou por falência, ou porque os accionistas estavam todos presos! Mas não, o país não vai encerrar e nesta historia não há culpados. São todos vitimas de alguma coisa, e todos são considerados inocentes até prova (qual prova?) em contrário.
Há uma parafernália de expedientes que impedem que alguém seja culpado do quer que seja: é o direito ao bom nome, é o direito à presunção de inocência, é o segredo de justiça, é, imagine-se, o direito à indignação por parte de quem é acusado, enfim... é só direitos.
No meio destas confusões todas temos, no mesmo caso, o Primeiro-Ministro, o Procurador Geral da República, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Vice-Presidente do maior banco português,o Presidente de uma das maiores empresas públicas, o Procurador de Aveiro, o Juiz da comarca que diz que não acata ordens do Supremo, e, qual cereja no topo do bolo, um sucateiro, que reza a historia, corrompia metade (ou mais) da classe política e empresarial portuguesa.


Aqui não há padrinhos à boa maneira italiana ou russa, aqui os chefes do crime organizado não bebem Champagne Cristal, nem têm um estilo de vida digno de uma trilogia de Hollywood, nem sequer têm negócios de fachada na área financeira. Aqui não, aqui quem manda é mesmo o sucateiro, que oferece Rolex em troca de negócios chorudos com empresas do estado.

Será que podíamos ser um país de corruptos, mas com um estilo de vida mais glamoroso? Podíamos, mas não era a mesma coisa!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Palma

Hoje ando com esta música na cabeça!
Ouvi-a ao vivo há uns anos, num fantástico concerto no Estoril. Grande música e grande letra, bem ao jeito de Jorge Palma.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A Governação

A taxa de desemprego estimada para o terceiro trimestre é de 9,8 por cento, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se de um aumento de 2,1 por cento face ao mesmo período do ano passado. Neste momento, o desemprego atinge 547,7 mil pessoas.
Obviamente que aqui, não estão contabilizadas todas as pessoas que vivem esse drama. Os números verdadeiros serão, provavelmente, muito piores.




Senhor Primeiro-Ministro, importa-se de repetir?

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates

Excelentíssimo senhor primeiro-ministro:

Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telemovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS: "Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão." O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.
Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a "Face Oculta", essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.
Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do País. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.


Relembro que João Miguel Tavares, foi processado pelo primeiro-ministro José Sócrates, devido à crónica escrita a 3 de Março com o título “José Sócrates, o Cristo da Política Portuguesa”.
O artigo ficou conhecido pela seguinte frase: “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina.”

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Reunificação Alemã

20 anos depois da Reunificação Alemã, aqui fica o discurso de Ronald Reagan feito em frente à Porta de Bradenburgo, 2 anos antes da queda do muro. Mesmo sem a aprovação dos seus conselheiros políticos, que lhe disseram que era um erro, ele respondeu "it's the right thing to do"


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Há vetos e vetos...

Addio Adido, Aufwiedersehen, Good bye!!

Pois é, agora é oficial, vou deixar a capital do Império.
Começaram portanto, oficialmente, as festas de despedida! Espero que seja mais um "até já", do que um "adeus".
Aqui fica o registo fotográfico do jantar em minha casa, com alguns daqueles que, verdadeiramente, são os mais próximos em Lx.






quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Adrenalina Pura!

Video de uma "rapada" filmado por mim, a 3 metros da areia, e a mais de 150km/h.
A isto eu chamo uma tarde bem passada!!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A feira!

A diferença entre voar na Ryanair ou voar numa companhia de bandeira é mais ou menos como a diferença entre fazer compras na Louis Vuitton ou na feira de espinho, ou seja, o produto é parecido mas tudo o resto é uma mera coincidência, sendo que o preço é o que realmente faz toda a diferença.

Nesta viagem a Madrid tornei a viajar na Ryaniar, e mais uma vez fiquei impressionado com a bandalheira e selvajaria comercial que este tipo de experiência nos impõe. Desde o momento que entrei no maldito Boeing 737-800, tentaram-me vender de tudo: cigarros sem fumo, perfumes mais baratos, comida manhosa aquecida no micro-ondas e mais uma parafernália de bugigangas que estavam no catálogo que nos impigem ainda antes de nos sentarmos. A certa altura aquilo deixa de ser um voo comercial e passa a ser uma feira, onde só faltou a hospedeira, (tão fraquinha coitadinha! não se arranjava nada melhor que uma mulher que parecia acabada de sair de um casting para a nova versão do drácula?) trazer um papagaio no ombro e outros animais exóticos para se vender a bordo.
O problema deste circo comercial não é o facto de me tentarem vender todo o tipo de coisas, mas o de não me deixarem dormir, sempre a anunciar estas merdas todas, aos berros no microfone e, ainda por cima, em varias línguas, obrigando a mulher a berrar pelo menos três vezes em cada produto.
Resultado: quando estava quase a adormecer, mais um berro! e assim sucessivamente...

Que saudades dos meus voos semanais na TAP entre o Porto e Lisboa, onde adormecia ainda o avião rolava na pista e só acordava quando aterrava na Portela!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Verdes Anos

Seguindo a sugestão do meu amigo Eduardo de Brito Castela, aqui fica Verdes Anos, na casa de fados acapella em Coimbra, tocado pelo Quinteto de Coimbra, com a participação especial de Belle Chase Hotel.

Carlos Paredes

Porque esta guitarra anda dentro da minha cabeça há dois dias, aqui fica:

Sonhar também é viver...

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Madrid!


Aqui vou eu...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Linha do Tua

Estreia na doclisboa2009, mais um documentário de Jorge Pelicano, depois do "Ainda há pastores?" de 2006.
Este novo documentário aborda a questão do desaparecimento da linha do Tua, em função da construção de uma barragem. Aponta também a mudança de prioridades, por parte da classe politica, relativamente às vias de comunicação no interior do país.
Eu ainda não o vi, mas parece-me que é mais um excelente registo da interioridade, das suas dificuldades e o constante esquecimento de Lisboa, face às tradições e reais necessidades das pessoas em nome de um pseudo "progresso".

Let's take a look at the trailer:

Sempre!

Não sei se fui só que reparei, mas quando o nosso povo é interpelado num qualquer evento da província (que termo fascista!!) ou da cidade, sobre se estão contentes ou a gostar, a resposta é inevitavelmente: Sempre!
Tá a gostar? Sempre!
Tá feliz? Sempre!
Mas que raio de fenómeno sociológico é este? Ninguém está sempre a gostar, nem ninguém está sempre feliz... Será que somos um país de lambe-botas empedernidos?
Será que somos um país de "yes men"? Sempre...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Rei

O Rei Maradona, visto pelos olhos de Emir Kusturica, num documentário imperdível.
Aqui fica uma cena em que Manu Chao canta para o Rei, numa rua na Argentina.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vasco Graça Moura

Ora aqui está uma reacção aos resultados das eleições legislativas, no mínimo, surpreendente.
Eu diria mesmo, um caso grave de disenteria verbal...

"Este prémio dado à incompetência mais clamorosa vai ter consequências desastrosas. A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito.
O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro."

Vasco Graça Moura
DN - 30 de Setembro

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Brasil e os brasileiros

A propósito da historia da senhora que cuspiu nos Jerónimos, lembrei-me desta igualmente repugnante, mas que mostra bem o espírito de muitos brasileiros em relação a Portugal.
Só quem não conhece minimamente o Brasil é que pode ficar chocado com as atitudes dessa actriz e do cronista que em baixo vai ser citado. No Brasil que conta, ou seja, nas cidades em que há massa critica e pessoas minimamente informadas, este tipo de atitudes em relação a Portugal são frequentes, salvo algumas excepções de uma elite intelectual, artística e politica.
Quanto ao povo, a grande maioria, esses estão demasiado preocupados em arranjar dinheiro para comer, que nem sabem onde fica Portugal e qual a herança histórica, boa ou má, que ali ficou.

A historia que se segue é um artigo de um cronista brasileiro, Políbio Braga, que depois de uma viagem a Portugal escreveu estas palavras:

"Há apenas uma semana, em apenas quatro anos, o editor desta página visitou pela quinta vez Lisboa, arrependendo-se pela quarta vez de ter feito isto.
Portugal não merece ser visitada e os portugueses não merecem nosso reconhecimento. É como visitar a casa de um parente malquisto, invejoso e mal educado. Na sexta e no sábado, dias 24 e 25, Portugal submergiu diante de um dilúvio e mais uma vez mostrou suas mazelas. O País real ficou diante de todos. Portugal é bonito por fora e podre por dentro. O dinheiro que a União Européia alcançou generosamente para que os portugueses saíssem do buraco e alcançassem seus sócios, foi desperdiçado em obras desnecessárias ou suntuosas. Hoje, existe obra demais e dinheiro de menos. O pior de tudo é que foi essa gente que descobriu e colonizou o Brasil. É impossível saber se o pior para os brasileiros foi a herança maldita portuguesa ou a herança maldita católica. Talvez as duas. "

Na altura, o Embaixador de Portugal no Brasil, era Seixas da Costa, que nao se ficou, e usando o direito de resposta escreveu assim:

Um cidadão brasileiro, que faz o favor de ser meu amigo, teve a gentileza de me dar a conhecer uma nota que publicou no seu site, na qual comentava aspectos relativos à sua mais recente visita a Portugal. Trata-se de um texto muito interessante, pelo facto de nele ter a apreciável franqueza de afirmar, com todas as letras, o que pensa de Portugal e dos portugueses. O modo elegante como o faz confere-lhe, aliás, uma singular dignidade literária e até estilística. Mas porque se limita apenas a uma abordagem em linhas muito breves, embora densas e ricas de pensamento, tenho que confessar-lhe que o seu texto fica-nos a saber a pouco. Seria muito curioso se pudesse vir a aprofundar, com maior detalhe, essa sua aberta acrimónia selectiva contra nós.

Por isso lhe pergunto: não tem intenção de nos brindar com um artigo mais longo, do género de ensaio didáctico, onde possa dar-se ao cuidado de explanar, com minúcia e profundidade, sobre o que entende ser a listagem de todas as nossas perfídias históricas, das nossas invejazinhas enraizadas, dos inumeráveis defeitos que a sua considerável experiência com a triste realidade lusa lhe deu oportunidade de decantar? Seria um texto onde, por exemplo, poderia deter-se numa temática que, como sabe, é comum a uma conhecida escola de pensamento, que julgo também partilhar: a de que nos caberá, pela imensidão dos tempos, a inapelável culpa histórica no que toca aos resquícios de corrupção, aos vícios de compadrio e nepotismo (veja-se, desde logo, a última parte da Carta de Pêro Vaz de Caminha), que aqui foram instilados, qual vírus crónico, para o qual, nem os cerca de dois séculos, que se sucederam ao regresso da maléfica Corte à fonte geográfica de todos os males, conseguiram ainda erradicar por completo.

Permita-me, contudo, uma perplexidade: porquê essa sua insistência e obcecação em visitar um país que tanto lhe desagrada? Pela quinta vez, num espaço de quatro anos ? Terá que reconhecer que parece haver algo de inexoravelmente masoquista nessa sua insistente peregrinação pela terra de um "parente malquisto, invejoso e mal educado". Ainda pensei que pudesse ser a Fé em Nossa Senhora de Fátima o motivo sentimental dessa rotina, como sabe comum a muitos cidadãos brasileiros, mas o final do seu texto, ao referir-se à "herança maldita católica", afasta tal hipótese e remete-o para outras eventuais devoções alternativas. Gostava que soubesse que reconheço e aceito, em absoluto, o seu pleníssimo direito de pensar tão mal de nós, de rejeitar a "herança maldita portuguesa" (na qual, por acaso, se inscreve a Língua que utiliza). Com isso, pode crer, ajuda muito um país, que aliás concede ser "bonito por fora" (valha-nos isso !), a ter a oportunidade de olhar severamente para dentro de si próprio, através da arguta perspectiva crítica de um visitante crónico, quiçá relutante.

E porque razão lhe reconheço esse direito ? Porque, de forma egoísta, eu também quero usufruir da possibilidade de viajar, cada vez mais, pelo maravilhoso país que é o Brasil, de admirar esta terra, as suas gentes, na sua diversidade e na riqueza da sua cultura (de múltiplas origens, eu sei). Só que, ao contrário de si, eu tenho a sorte de gostar de andar por onde ando e você tem o lamentável azar de se passear com insistência (vá-se lá saber porquê!), pela triste terra dessa "gente que descobriu e colonizou o Brasil". Em má hora, claro! Da próxima vez que se deslocar a Portugal (porque já vi que é um vício de que não se liberta) espero que possa usufruir de um tempo melhor, sem chuvas e sem um "dilúvio" como o que agora tanto o afectou. E, se acaso se constipou ou engripou com o clima, uma coisa quero desejar-lhe, com a maior sinceridade: cure-se !

Francisco Seixas da Costa
Embaixador de Portugal no Brasil

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ouro Preto!

A propósito deste vídeo, que foi gravado num concerto lá, lembrei-me da minha ida a Ouro Preto no interior do Brasil, no Estado de Minas Gerais.
A cidade, é provavelmente a melhor e mais bem conservada prova da presença portuguesa no Brasil.
Foi considerada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1980, e é um exemplo clássico das cidades portuguesas de estilo colonial.
A sua arquitectura, igrejas e esculturas são de uma qualidade ímpar, e a cidade apresenta um estado de conservação muito bom, mesmo tendo em conta os padrões do Brasil.
As igrejas, de forte influência portuguesa, são do estilo rococó, e pode-se encontrar ali as principais obras de um dos maiores escultores brasileiros, o "Aleijadinho".
A minha ida a Ouro Preto foi, na altura, uma agradável surpresa e lembro-me que foi lá que tive um dos melhores almoços da minha vida, na companhia de um óptimo cicerone, num restaurante fantástico onde estive 4 horas a provar iguarias mineiras, e de onde saí às 6 da tarde, depois de uma autentica orgia gastronómica!


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Apostas IV


Aposto que sei quem é que amanha vai andar aos tiros de caçadeira no centro de Marco de Canaveses!

Apostas III


Aposto que sei quem é a candidata autárquica, que tem uma reserva para o primeiro avião da TAP com destino ao Rio de Janeiro!

Apostas II


Aposto que este homem precisa de um aparelho auditivo!
Ou ele, ou as pessoas de Gondomar!

Apostas





Qual será a próxima eleição que o menino guerreiro vai perder?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Paz

Why didn't Barack Obama win the Nobel Prize for Literature?
Answer: He wrote 2 books.

Tirado daqui

Candidatos independentes

"Mas o motivo deste post é fazer uma abordagem a um tema que tenho visto crescer e que ainda não foi, na minha opinião, suficientemente discutido. Tem a ver com o aumento do número de candidatos independentes a concorrer às autárquicas."

Pode ser lido aqui

terça-feira, 6 de outubro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

2057

Hoje viajei até 2057 e fiquei a saber muita coisas.
Deixou de haver problemas institucionais entre os órgãos de soberania, porque fomos comprados pelos espanhóis. Lisboa ruiu num terramoto provocado pela explosão de um submarino nuclear no Tejo, que tinha sido comprado em segunda mão, e que vinha com defeito, depois de mais um negocio ruinoso do ainda Estado português.
O mapa do país foi então refeito, sendo que, o norte de Portugal juntou-se à Galiza, tendo o Porto como Capital.
Mas, como a minha curiosidade era enorme, quis saber o que tinha acontecido aos actuais líderes políticos nacionais. Pois foi uma grande surpresa!
O actual Presidente da República morreu já muito velho, quando se entalou a comer uma fatia de bolo rei na vivenda Mariani, em Boliqueime.
O primeiro-ministro José Sócrates, também já faleceu. Apesar de já ter tido um enfarte, depois de ter sido apanhado a fumar um cigarro, na casa de banho de um avião, esta não foi a causa de morte. Morreu num trágico acidente, quando a sua casa ruiu, casa que ele próprio tinha desenhado e segundo suas declarações , seria a casa dos seus sonhos.
Francisco Louçã ouvi dizer que estava internado no Júlio de Matos, com uma camisa de forças, e passava os dias a gritar: isto é uma verrrgonha, temos de nacionalizar!!
Portas ainda é vivo, e acaba os seus dias numa herdade do Alentejo, a tratar da lavoura. O seu caseiro é curiosamente Manuel Monteiro.
Ainda soube mais algumas coisas, que prometi não divulgar, mas preparem-se que vêm aí acontecimentos bombásticos...

Quanto a mim, não vou para já divulgar o que me aconteceu, mas posso-vos dizer que tive o prazer de ver o F.C. Porto ser Campeão Europeu mais 5 vezes.
Até decidir se conto a minha historia ou não, deixo-vos uma foto que tirei a mim próprio!


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Política em Riste

Análise Legislativas 09

Fazer uma análise a eleições legislativas nem sempre é um processo fácil, muito menos, em eleições como os do passado dia 27.
Para que se possa fazer uma analise objectiva e concreta é preciso distinguir dois tipos de sufrágio dentro deste acto eleitoral, o sufrágio dos partidos para a constituição de um governo, onde PS e PSD se batiam, e o sufrágio dos pequenos partidos cujo objectivo é conseguir eleger o maior numero de deputados possível, para terem uma voz mais activa no parlamento. O problema da própria dicotomia destas eleições é que estes dois sufrágios se interligam entre si, e um processo interfere necessariamente no resultado dos outros. Os votos não são elásticos e para que uns os ganhem , outros terão de os perder. Apesar de poder parecer óbvia esta leitura, é aqui que reside, na minha opinião, a essência destas eleições. Partindo o PS para estas eleições com maioria absoluta, era este o partido a quem todos queriam roubar votos.
Para além disto, o PS vinha de um governo de 4 anos muito desgastado. Há que reconhecer, em abono da verdade, que a sorte foi madrasta para o partido de José Sócrates. A estratégia do governo foi a de, tendo maioria absoluta na Assembleia da República, aproveitar esse handicap, para ser reformista em áreas muito sensíveis como a saúde e a educação, mas não esquecendo que no final da legislatura teria de haver um "desapertar do cinto", de forma a mostrar que todo o esforço que foi feito pelos portugueses tinha compensado, e que isso se sentiria no seu dia-a-dia.
O problema é que quando o governo se preparava para o fazer rebentou uma crise internacional que entrou pelas empresas e tecido empresarial português, já por si fragilizado devido a décadas de mau planeamento, fazendo aumentar as fileiras do desemprego e da exclusão social.

Por estas razões e outras mais, o PSD de Manuela Ferreira Leite (MFL) teria todas as condições para poder entrar nesta campanha com uma vantagem significativa.
O problema é que o PSD está, na minha opinião, a atravessar um grande deserto, está esvaziado ideologicamente, e esta condição não acaba mudando de líder. O PSD precisa de se reencontrar consigo próprio e com aquilo que deve ser uma ideologia politica subjacente. Não se vislumbra dentro do PSD uma linha politica coerente, é um partido à deriva ideologicamente. Ao contrario do PS que, em resposta à crise, apostou em dois eixos, competitividade e solidariedade social (ainda que esteja longe de atingir o primeiro), o PSD apresentou propostas avulsas sem uma estratégia de alternativa consolidada.
É talvez por esta serie de condicionalismos, que MFL é a grande derrotada da noite. Ela e a sua direcção politica. Ela e todos os que estiveram ao seu lado. Fizeram uma campanha completamente errada, acertaram sempre ao lado, muitas vezes com o alvo a meio metro de distância, senão vejamos: apostaram na questão da asfixia democrática, quando o PSD tem telhados de vidro, que vêm desde os tempos da segunda maioria de Cavaco Silva, apostaram na politica de verdade e tropeçaram pelo caminho, apostaram em atacar as grandes obras publicas como o TGV e não conseguiram passar a mensagem.

Quem consegui capitalizar esta derrota de MFL e do PSD foi Paulo Portas, que fez uma campanha assertiva, que concordando-se ou não, apresentou propostas, apresentou uma linha de orientação concreta e coerente com os ideais de direita assumidos, principalmente em questões como a segurança e justiça. Não é para mim novidade nenhuma que o líder do CDS tem faro e instinto político, e não constitui surpresa a vitoria do partido no seu campeonato, ou seja, o campeonato dos "pequenos". É verdade que é uma vitoria alicerçada na derrota do PSD, e que dificilmente o CDS consegue ter um bom resultado em eleições legislativas com um PSD forte.
Por fim, referir que o bloco é também para mim, outro dos derrotados destas eleições. A estratégia, por mais que Louçâ diga o contrario, não era só retirar a maioria absoluta ao PS, era tornar-se um partido da esfera de poder, ou seja, um partido que pudesse ter um papel decisivo na matemática parlamentar. Não consegui atingir esse objectivo, e mesmo crescendo bastante, fica aquém daquilo que eram as expectativas dos seus dirigentes e votantes.

A CDU começa a quebrar, e penso estar a iniciar uma descida que a irá levar a um patamar mais baixo de eleitorado base, e consequentemente perda de influencia a nível parlamentar.
Mesmo não gostando de simplificar as coisas a este ponto, penso ser óbvio que os grandes vencedores foram em primeiro lugar o PS, porque apesar de todas as contrariedades consegue ganhar as eleições e o CDS porque obtêm um resultado que dificilmente poderá repetir no futuro.
Por contraponto, PSD, BE e CDU, não atingem os seus objectivos eleitorais, sendo que no caso do PSD a derrota assume um peso muito diferente dos outros dois, porque tem uma votação ao nível da de Santana Lopes, com a agravante de ter tido nestas eleições condições muito mais favoraveis.
Também pode ser lido aqui

Actualizaçao!

Para amanhâ fica prometido uma analise às eleições legislativas, até lá deixo isto:

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Fim-de-semana de decisões!

Este fim-de-semana vai ser, sem sombra de dúvidas, muito importante.
Espero que ganhem os melhores, espero que as pessoas acorram em massa, espero que não haja influencias externas no resultado, espero que os derrotados saibam reconhecer a derrota sem arranjar desculpas, e espero que as reacções jornalísticas consigam ser isentas.
Resumindo: espero que o F.C. Porto ganhe o derbi ao Sporting!

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Questões de segurança

Esta historia das escutas ao Presidente da Republica é, no mínimo, surreal.
Eu não sei se é verdade ou não que o Governo ande a escutar as conversas dos membros da Presidência da Republica, mas sei que, na eventualidade de ser verdade, um chefe de estado não pode, de forma alguma, tentar passar essa informação para a comunicação social através de um assessor.
Nem pode agora, passadas algumas semanas de a noticia vir a público, vir fazer declarações como as que fez hoje a propósito desta historia, em que diz: “Depois das eleições, irei tentar obter mais informações sobre questões de segurança. O Presidente da República deve preocupar-se com questões de segurança, de forma discreta, como costumo fazer"(...)O período eleitoral leva a não fazer declarações”,
Nesta altura, de combate feroz entre os partidos para as eleições legislativas, este tipo de afirmações, são por si só declarações explosivas. O que no fundo Cavaco Silva está a fazer é uma declaração envenenada, confirmando os rumores, sim porque não se vai investigar aquilo que não existe.
Para terminar, referir as declarações do director do Publico, José Manuel Fernandes, que diz: "é um trabalho dos serviços de informações ou de alguém desse género".
Alguém desse género?? mas qual género? Quem é que tem autonomia para por si só fazer escutas ao Presidente da Republica??

Jackpot

Hoje, no euromilhões, o prémio é um jackpot de 100 milhões de euros! Acabei de ouvir um homem, que entrevistado sobre o que fazer com o prémio em caso de vitoria, disse que compraria uma "casita com um terreno, para cultivar umas galinhas e umas couves para governar a vida".
Este homem, é a melhor metáfora da mentalidade e do estado deste país!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O início

E o final...

Annie Hall

Porque hoje revi um dos melhores filmes da historia do cinema!

"In my next life I want to live my life backwards. You start out dead and get that out of the way.
Then you wake up in an old people's home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day. You work for 40 years until you're young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, you play. You have no responsibilities, you become a baby until you are born. And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm!
I rest my case.

-This is your life and it's ending one minute at a time -"

Rodrigo Leão - Vida Tão Estranha

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Sócrates versus Louçã

"Sócrates foi inteligente. Louçã, habituado a discutir o programa dos outros, não estava preparado para discutir o seu próprio programa. Sócrates, durante meia hora, fez de Louçã candidato a primeiro-ministro. Pior, Louçã imaginou-se no lugar. Com medo do que os outros possam pensar. "


Pode ser lido aqui

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bacalhau com Todos

Ora aqui está um homem cheio de ideias, que brinca com as palavras, um mestre do marketing politico. Qual LPM, Cunha Vaz ou BBDO, o PS de Grândola tem um marketeer à antiga portuguesa!!
Eu não sou de Grândola, mas se fosse, o meu voto ia para o Sr. Bacalhau!!

sábado, 5 de setembro de 2009

Hugo Chávez


O protesto já se globalizou. Pode ser visto aqui

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Queres democracia? Vai para a Coreia do Norte! (II parte)

Na semana passada, tive uma simpática conversa com uma pessoa amiga, que este ano foi uma das felizes contempladas com 1 dos 1500 vistos que a Coreia do Norte atribui para visitar o seu país. Isto quer dizer, que na Coreia do Norte não há necessidade de ter um Manuel Pinho a mudar os nomes às regiões por causa do Turismo, porque só há 1500 turistas por ano.
A minha natural curiosidade sobre o país, (que recordo, não tem acesso à internet, é proibido o uso de telemóveis, e vive fechado do mundo, só sendo noticia quando o Grande Líder decide lançar um missel, em experiências nucleares.) era muito grande. Como será que vive esta gente? Como é o dia-a-dia?
Pois fiquei a saber que na Coreia do Norte os turistas andam de autocarro, acompanhados por guias do estado e por membros do exercito, e só vão a sítios designados por estes. Não se pode tirar fotos nem filmar, excepto se for a uma estátuta do Grande Líder (que por sinal está espalhado em todo o lado, cumprindo assim o típico culto da personalidade), e mesmo assim não se pode imitar a pose de Kim Jon il. À noite é proibido sair do Hotel, e as visitas turísticas são sempre feitas a museus caducos, onde se pode ver em exposição, por exemplo, um bombardeiro americano abatido nos anos 50 e outro tipo de patéticos troféus de guerra.
Na Coreia do Norte, a televisão está sempre a transmitir cenários naturais lindíssimos com uma musica muito calma, numa espécie de ZEN TV. Não há telejornais, nem jornalismo sensacionalista, não há conflitos nem confusão!
Depois desta conversa fiquei a pensar: como será possível manter um regime assim? Não seria óbvio haver uma massa critica de jovens, de intelectuais, de alguém que se agite e tente mudar o regime?
A possibilidade de entrar neste pais, que em pleno sec XXI vive numa espécie de Twilight Zone, deve ser uma experiência única!!
Para o ano, está decidido, quero ir para Pyongyang!

Para ti!

É para ti, porque nunca é demais relembrar!
Eu até cantava, mas deixo isso para quem sabe...

SUNNY VISION

NIGHT VISION

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SMS

É nesta altura, de regresso a rotinas de 11 meses, que a expressão " Ganhar a vida, perdendo-a", faz todo o sentido!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Férias III

Depois de Key Largo, a viagem continuou até Key West, o ponto mais sudeste do território americano.
Pela viagem, num cenário fantástico, paramos em Bahia Honda, um parque natural com uma praia considerada como uma das cinco mais bonitas dos EUA! De facto, a praia era paradisíaca, mas para mim, aquilo que de mais paradisíaco ela tinha era o facto de ser praticamente deserta (tantas vezes me tenho lembrado dessas horas de silencio com o barulho do mar ao fundo!! Fez-me lembrar um outro momento que passei há uns anos numa ilha deserta em Angra dos Reis!!).
Key West é uma ilha muito simpática, com uma arquitectura totalmente colonial, e onde se vive verdadeiramente "quality time". Tudo com muita calma, num ambiente muito relaxado, e onde o relógio parece que pára. Talvez tenha sido por isso que Ernest Hemingway a escolheu para viver, numa casa de sonho, que tive oportunidade de conhecer.
O ultimo dia voltou a ser uma maratona. Saída de Key West às 8.30 da manha, depois de ainda ir à City Hall pagar uma multa (tinha de ser!), fazer 300 Km de volta a Miami, entregar o carro no aeroporto já atrasado e cheio de pressa, quase perder o avião para Nova Iorque, chegar a Nova Iorque e esperar pelo voo da TAP para o Porto, onde cheguei 20 horas depois da saída de Key West. O que valeu, foi mesmo o conforto da primeira classe do A-330, que fez da viagem uma noite de sono bem dormida, com direito a acordar com um óptimo pequeno almoço e as vistas de um nascer do sol algures no atlântico.





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Férias II

Quando, na terça-feira, me levantei às três da manhâ para ir para o aeroporto de Newark, em New Jersey, já me sentia bastante febril . No entanto, como sempre se faz, achei que ia passar.
O vôo de Nova Iorque para Miami não foi muito agradável, mas, quando aterrei, fiquei com a sensação de que tinha passado a correr!
Depois de um bom almoço na Ocean Drive, em Miami Beach, seguimos no nosso Chrysler Sebring cabrio, em direcção a Key Largo.
A viagem até Key Largo (primeira paragem com destino a Key West) é curta (90 km), mas já dá para ter uma ideia do que nos espera a seguir, ou seja, um cenário absolutamente idílico, exótico e tropical, com um mar de côr azul turquesa.
O primeiro Hotel, o Key Largo Grande Resort and Beach Club, foi um óptima aposta, já que tivemos dois dias de descanso na praia privativa, que deu para recuperar da "maratona" de Nova Iorque, e da viagem de avião atribulada para Miami (para contar mais tarde!).





Férias I

O plano era simples, cinco dias em Nova Iorque, e depois férias de praia, das quais não prescindo!
Foi a primeira vez que vi Nova Iorque no Verão e em Agosto. É uma cidade completamente diferente do cenário que me habituei a ver quando lá vou, ou seja, coberta de neve, com muito frio e toda decorada, típica da altura do Natal.
A cidade assim parece-me mais confusa, com muito mais turismo e sem o charme muito característico da altura natalícia. Mas esta viagem também não compria o desígnio de uma viagem de compras, mas sim o de desfrutar da cidade, fazer coisas que habitualmente não se faz no Inverno devido à temperatura, e também fazer de cicerone à Ana, que não a conhecia.
A grande vantagem de ir nesta altura é que se pode andar confortavelmente nas ruas, de dia e de noite, sem nos termos de preocupar com o frio, cheios de roupa e com cachecóis!
Por isso, podemos desfrutar de imensos passeios, conhecer melhor partes da cidade que noutras alturas não tinha conhecido bem, como Soho e o Central Park.
Fizemos o habitual circuito de quem se estreia nestas andanças nova iorquinas, com a subida ao Empire State Building, os passeios de autocarro, visita a museus (adorei o MOMA), etc.






Back in Business!

Em breve, o relato da viagem acompanhado de fotografias!



quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Férias!!!


Pois é, toca a todos. Amanhã vou partir em digressão para os EUA. Nova Iorque primeiro e Florida Keys (Key Largo e Key West) depois.
Apesar de ser a quinta vez que vou à Big Apple, não me canso. Já tenho o roteiro da cidade na minha cabeça e certamente não vou deixar de passar por alguns restaurantes, livrarias, museus, lojas e clubes de jazz (dos poucos sítios onde ainda se pode fumar!).
Depois rumo a Miami, apenas para alugar 1 carro e partir em direcção às Florida Keys (talvez pare em Ocean Drive para tomar 1 café).
Diz quem conhece, que se trata de uma travessia de carro absolutamente fantástica, já que se percorre 300 Kms em viadutos sobre o mar das caraíbas, num conjunto de ilhas que separam o golfo do México do Oceano Atlântico.
Quando regressar, lá mais para o fim do mês, fica prometido um relato de viagem, com suporte fotográfico.
Até lá!