O centenário de 2010 só será útil, se abordar as circunstâncias e causas do definhamento e queda da I República. O ano de 2010 vai ser ocupado de largo a largo pelas comemorações dos cem anos da República. Vamos ler, ver e ouvir a evocação da efeméride de forma constante e reiterada. É bom reavivar a memória colectiva, em geral tão desprezada em Portugal. Mas de preferência essa lembrança deverá ser analítica e projectiva, ajudando a interpretar e iluminar o presente, sem o que se limitará a lampejos académicos sensaborões, e, ao fim e ao cabo, desinteressantes
E o centenário de 2010 só será assim útil, se abordar as circunstâncias e as causas do definhamento e afinal da queda da I República, não se cingindo a proclamações laudatórias de estilo serôdio e provinciano.
Ora por que é que a República de 1910 caiu fragorosamente menos de 16 anos depois de instaurada? Por um conjunto de razões/vícios que podem ser enumerados como segue: deterioração acelerada da força do Estado; esfarelamento e descredibilização das instituições, a começar pela justiça; mediocralização assustadora da qualidade dos agentes políticos, principalmente dos governantes; consequente e progressiva incapacidade dos governantes para resolver e sequer encarar os verdadeiros problemas do país; crise dos partidos, minados pelo clientelismo e pelo caciquismo; instabilidade permanente, ingovernabilidade; galopante buraco das finanças públicas (dizia-se então: iminência da bancarrota), com o aumento descontrolado da dívida externa e a degradação da imagem externa de Portugal nas praças financeiras internacionais; afastamento sistemático da população face ao regime, atitude confirmada na abstenção sempre em alta nos actos eleitorais; corrupção generalizada; baixa do poder de compra dos cidadãos; aumento do fosso entre pobres e ricos, miséria, desemprego.
Esta enumeração soa-vos familiar? Parece-vos que ela encaixa como uma luva em qualquer coisa muito próxima? Sim, é verdade, ela reflecte mimeticamente o que se passa agora entre nós. O país de 1910 e o país de 2009 assemelham-se como duas gotas de água em termos institucionais, políticos e económico-financeiros, se exceptuarmos as inevitáveis características epocais de quase um século de História.
Ora por que é que a República de 1910 caiu fragorosamente menos de 16 anos depois de instaurada? Por um conjunto de razões/vícios que podem ser enumerados como segue: deterioração acelerada da força do Estado; esfarelamento e descredibilização das instituições, a começar pela justiça; mediocralização assustadora da qualidade dos agentes políticos, principalmente dos governantes; consequente e progressiva incapacidade dos governantes para resolver e sequer encarar os verdadeiros problemas do país; crise dos partidos, minados pelo clientelismo e pelo caciquismo; instabilidade permanente, ingovernabilidade; galopante buraco das finanças públicas (dizia-se então: iminência da bancarrota), com o aumento descontrolado da dívida externa e a degradação da imagem externa de Portugal nas praças financeiras internacionais; afastamento sistemático da população face ao regime, atitude confirmada na abstenção sempre em alta nos actos eleitorais; corrupção generalizada; baixa do poder de compra dos cidadãos; aumento do fosso entre pobres e ricos, miséria, desemprego.
Esta enumeração soa-vos familiar? Parece-vos que ela encaixa como uma luva em qualquer coisa muito próxima? Sim, é verdade, ela reflecte mimeticamente o que se passa agora entre nós. O país de 1910 e o país de 2009 assemelham-se como duas gotas de água em termos institucionais, políticos e económico-financeiros, se exceptuarmos as inevitáveis características epocais de quase um século de História.
Público – A crise da República, Sebastião Lima Rego

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