No dia 20 de Fevereiro de 2005, José Sócrates anuncia, na varanda do largo do rato, que está quebrada uma barreira psicológica que acompanhava o PS desde o 25 de Abril, ou seja, a de que nunca ter conseguido uma maioria absoluta para governar Portugal.
De facto, no segundo mandato de Guterres, o PS ficou a um deputado da maioria absoluta na Assembleia da Republica, com 115 deputados, facto que, aliás, deu origem ao famoso acordo para viabilizar o orçamento, que ficou conhecido como o acordo do queijo limiano. José Sócrates pertencia a esse executivo, era Ministro do Ambiente. Assistiu à dificuldade que é governar sem maioria, e à famosa crise do pântano, que depois de umas eleições autárquicas, fez com que António Guterres se demitisse.
Dessa experiência, Sócrates percebeu que não se pode ser demasiado consensual em politica, e que no limite é preferível tomar uma má decisão do que não tomar nenhuma.
O governo Sócrates tomou posse em 2005, e o Primeiro Ministro, penso eu, sabia como ira gerir o governo, porque essencialmente sabia aquilo que não podia fazer, e a maneira como paulatinamente iria começar a estender a influência do estado aos vários sectores da sociedade. Os primeiros anos correram bem, herdou um défice das contas publicas do estado muito alto, e fez dessa luta a sua primeira bandeira. Foi gerindo melhor ou pior as, na altura, pequenas adversidades que iam aparecendo. Mostrou muita maturidade política, ao dispor-se em ir ao Parlamento fazer debates quinzenais com a oposição. Também nesta atitude se percebeu que o Primeiro Ministro não quis cometer o mesmo erro que o ultimo governo de maioria absoluta de um só partido, por sinal do actual Presidente da Republica, tinha cometido, sendo acusado de arrogante e distante dos representantes eleitos democraticamente pelos eleitores. Mas também, convenhamos, a oposição estava de certa forma fragilizada pelos resultados eleitorais e Sócrates, desenvolveu uma estratégia de intervenção na Assembleia que se veio a revelar muito eficaz. Essa estratégia, que defende a velha máxima de que a melhor defesa é o ataque, produziu efeitos muito objectivos e consegui passar a imagem de um governo que controlava os problemas do país e de uma oposição que não apresentava propostas válidas, apenas se limitava ao vulgar ataque politico sem grande fundamento.
Em 2007 Portugal assumiu a Presidência do Conselho da União Europeia, e todo o governo se empenhou em fazer desta Presidência um êxito para a diplomacia portuguesa. A receita assentava no reforço das linhas de orientação estratégica da diplomacia portuguesa na Europa, com a ligação aos países de língua oficial portuguesa, tendo organizado logo na primeira semana, uma cimeira UE - Brasil, e tambem a ligação privilegiada com varias países africanos, por força da influencia portuguesa. Tinha também as negociações de um tratado que já se arrastavam há duas presidências e percebeu a oportunidade de ouro para as fechar. O saldo foi extremamente positivo e a imagem do governo português ficou reforçada interna e externamente.

Quando, no inicio de 2008, poucos arriscariam dizer que o governo português, não ira ser reeleito com maioria absoluta, eis que rebenta uma crise financeira e económica internacional, que veio de certa forma mostrar a fragilidade da economia portuguesa, também fruto das politicas pouco consistentes do governo. Associado a isto, uma contestação violenta por parte de vários sectores da sociedade, cuja face mais mediática terá sido a dos professores. O país começa a ser confrontado com uma série de noticias sobre a governação e sobre os hipotéticos negócios do Primeiro Ministro, que sendo ou não verdadeiros, não foi bem gerido por parte de Sócrates.
Neste momento, o Governo português está sobre fogo cruzado, a oposição parece estar mais organizada e centrada nos ataques que faz, nota-se também algum desgaste por parte de Sócrates e do governo, e vamos ter, estou certo, quatro meses de intensa e dura luta politica.
O desfecho das próximas eleições é difícil de prever para os partidos, mas para o país não tenho dúvidas de que vai ser negativo, porque, numa altura de grandes adversidades, era absolutamente indispensável ter estabilidade politica!

Muito bom o teu balanço. Acrescentaria que, Sócrates é dono dos méritos e dos fracassos, falta um braço direito.
ResponderEliminarAbraço
Muito bem. E com isenção.
ResponderEliminarNisto tudo só tenho um receio, além do factor "instabilidade política" que referiste:
Manuela Ferreira Leite PM???? Santana Lopes outra vez em LX???? Só podemos estar num filme do Tarantino, daqueles com constantes e violentos "flashbacks".
E, para que não surjam dúvidas ideológicas, livrem-nos também dos Guterres e dos Portas da vida...
Alternativa???????