quinta-feira, 4 de junho de 2009

Aventuras de Viagem (continuação)

Depois dessa atribulada chegada, os dias que se seguiram foram de folia total, com histórias que nasceram e morreram lá…
No entanto, não resisto a contar, algumas peripécias! Na primeira noite, e depois da entrada escoltados pela polícia, fomos imediatamente para o meio da confusão. À quinta ou sexta caipirinha, ao andar pelas ruas, fomos assaltados! Nada de grave, alguns reais e um maço de tabaco, mas que nos forçou a tomar uma medida drástica. Voltamos ao Hotel e o Pedro disse: era o que faltava! Amanha vamos contratar segurança para nos escoltar no meio desta confusão! Dito e feito, no dia seguinte, depois de alguns telefonemas, conseguimos falar com o deputado estadual Angeiras, um português, ou patrício como ele dizia, de quase 70 anos e radicado no Brasil há quarenta. Recebeu-nos em sua casa, e disse-nos que a partir do dia seguinte ia por à nossa disposição “ seus capangas” para que não se voltasse a repetir o sucedido no dia anterior. A conversa foi óptima, com um pormenor engraçado – ao fim da 2º, 5º e 7ºcerveja ele diz: vamos só beber mais uma, porque eu não posso beber muito, tive um derrame na cabeça (presumo que se referia a 1 AVC) no ano passado e o medico proibiu-me de beber!
Nessa noite, e com a colaboração do nosso mais recente melhor amigo, fomos para o camarote da Daniela Mercury, que ficava ao lado do nosso hotel! Foi uma noite épica!
No outro dia, e em todos os que se seguiram em Salvador, mal acordávamos da noite anterior, íamos para a praia do Piú, no carro do Angeiras. Chegávamos à praia e na barraca do Piú (“atendimento classe A, Doutor” dizia o empregado) mal o motorista apitava, já estava tudo preparado para mais um dia, com as nossas cadeiras sempre prontas! O Carnaval começava outra vez por volta das três da tarde, pelo o que saíamos da praia e costumávamos ficar na piscina do hotel a ver os primeiros blocos a passar.

Na noite de quarta-feira, o Porto jogava para a Liga dos campeões com o Barcelona, nas Antas. Era mais do que óbvio que eu tinha de ver o jogo, mas debatemo-nos com um problema: só no quarto do hotel é que dava para ver, porque cá em baixo não passavam jogos de futebol durante o Carnaval! Foi então que disse ao Pedro: só há uma solução! vermos o jogo no quarto e para não perdermos nada do Carnaval, fazemos uma festa na varanda virada para a avenida! È a nossa última noite em Salvador, vamos partir tudo! Trancamos as malas, e fomos ate á piscina fazer constar que ia haver uma grande festa no quarto 614! O Numero de pessoas excedeu em larga medida as nossas expectativas e foi brutal! Só me lembro de ver os empregados a chegar com bebidas e eu e o Pedro a assinar, assinar e assinar talões de room service.Do jogo, só me lembro do kluivert marcar, porque de resto só deu festa! Mas o momento alto, ainda estava para acontecer, quando o bloco da Ivete Sangalo passou em frente ao nosso hotel. Como sempre, havia mais portugueses no Hotel, e um deles tinha uma faixa qualquer alusiva a Portugal e à Ivete. Ela, ao ver a festa na varanda e a faixa, mandou parar o bloco, e decidiu cantar uma música para os portugueses (esse povo que eu amo, dizia ela!) que estavam na varanda do Hotel. Então, o cenário era surreal, ela a cantar em frente a nós, com a televisão da Bahia a transmitir em directo, ou seja, eu ia à varanda via aquilo ao vivo, vinha dentro do quarto e via a festa em directo na televisão!

No dia a seguir, quinta-feira, 4 dias e 434 caipirinhas depois, deixamos Salvador em direcção a Itacaré.
A viagem para Itacaré foi, no mínimo, surreal! Começou logo no aeroporto, isto porque o Pedro V., para fazer jus à nossa condição de Viscondes, decidiu alugar uma avioneta na ida. A companhia, a “Passaredo”, na altura alugava avionetas para viagens curtas, e era conhecida na Bahia como a “Passa-medo”, porque tinha 4 avionetas no inicio de actividade, e naquela altura já só restavam duas, sendo que uma tinha sido confiscada, e a outra tinha caído. Mas, para meu grande espanto, quando fomos com as malas a pé pela pista, e chegamos perto, vi que até parecia fiável a “Passaredinho” (nome escrito na fuselagem). À porta esperava-nos uma senhora do aeroporto que nos disse: o voo está atrasado, porque o piloto ainda não chegou do Carnaval! Ali ficamos, na companhia da senhora à espera, até que, aparece no horizonte, um homem com aspecto de quem já não dorme há dois dias, barba por fazer, todo suado e camisa desapertada quase ate ao umbigo. Era o piloto, que nos disse apenas: Oi! Comecei, nessa altura, a duvidar da minha sanidade mental se entrasse naquela avioneta, mas depois de 5 dias de Carnaval e caipirinha, também não estava na posse da totalidade das minhas capacidades mentais! Por isso, entrei! Mal me sento consigo ler uma placa que diz “ Que Jesus Cristo nos acompanhe nesta viagem”. Porta fechada, lá fomos nós em direcção a Itacaré, numa viagem em que o piloto, o Marcos, bebeu cerca de meio litro de café, que trazia numa termus! Mais tarde vim a saber que a Passaredo cresceu e agora, acho, até tem um ou dois aviões bimotor e faz viagens regionais!

( continua)

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