Este cenário passa-se há alguns anos atrás, não muitos. Avião da TAP, A-310, de Lisboa para Salvador da Bahia, cheio como um ovo. Aterra no destino às 22.00 e mal a porta do avião se abre, sente-se imediatamente o bafo quente e húmido típico do clima tropical, e fortalecido pela época do ano, Fevereiro, pleno verão no Brasil, nesse sábado do fim de semana de carnaval.
A minha companhia de viagem, vamos trata-lo por Pedro V.G, desce as escadas do avião com o seu fato de linho branco e chapéu de palha e exclama: “É à antiga! Como no tempo colonial”. Esta improvável dupla de viagem, mas que apesar de improvável já conta com uns milhares de milhas em cima, preparou esta viagem, como quase todas, na base do improviso e da aventura, o que nos fica substancialmente mais caro, mas é indiscutivelmente mais divertido.
A minha companhia de viagem, vamos trata-lo por Pedro V.G, desce as escadas do avião com o seu fato de linho branco e chapéu de palha e exclama: “É à antiga! Como no tempo colonial”. Esta improvável dupla de viagem, mas que apesar de improvável já conta com uns milhares de milhas em cima, preparou esta viagem, como quase todas, na base do improviso e da aventura, o que nos fica substancialmente mais caro, mas é indiscutivelmente mais divertido.
Tudo começou uns meses antes, quando o meu companheiro de viagem, decidiu que se impunha fazer uma visita ao carnaval de Salvador, para que, além de “partir tudo”, se pudesse fazer aquilo em que realmente somos imbatíveis, ou seja, a arte de improvisar, de contar historias, e de nos divertirmos à grande! Assim sendo o combinado seria ir para Salvador da Bahia em pleno carnaval, alugar uma suite num hotel em cima da avenida, para fazer daquilo o nosso camarote no carnaval. Depois alugaríamos uma avioneta e iríamos para Itacaré, que fica sensivelmente 600km a sul de Salvador, para fazer praia e ser tratados como reis. Nesse sentido, foi escrita uma carta para a Perfeitura de Itacaré, e para a Pousada Papa Terra (na altura uma das muito poucas existentes naquele longínquo lugar.) informando que Suas Altezas Reais de Portugal, os Viscondes de Vizela e Vilarinho se iriam deslocar àquela cidade (mais parecia uma aldeia) com o intuito de procurar e comprar uma fazenda.
O capítulo Itacaré poderá ficar para mais tarde, porque primeiro há uma série de aventuras que aconteceram naqueles 5 dias passados em Salvador, que tornaram aquele carnaval uma festa total.
Comecemos então pelo aeroporto. Depois de recolhidas as malas, dirigimo-nos ao balcão de apoio aos turistas, que ali existia durante o carnaval, e perguntamos se era possível arranjar um quarto de hotel em cima da avenida Oceânica, em Ondina, onde passa o desfile de carnaval. O rapaz por trás do balcão ficou estupefacto! Arranjar 1 quarto em pleno carnaval e ainda por cima na avenida onde se passa a festa?! Disse-nos imediatamente que não iria ser possível, mas que iria telefonar para alguns hotéis. À medida que os telefonemas se iam sucedendo, a resposta era sempre a mesma: Lotado! Até que, um responde que tem um quarto virado para a avenida, devido a uma desistência de ultima hora, mas que, como foi um cancelamento só aceitavam uma reserva igual, ou seja, tinha de ser alugado por 5 noites e com 1 preço muito acima daquilo que tínhamos previsto. A resposta, no entanto, foi pronta e unânime: ficamos com esse!!
Imediatamente nos lembraram outro problema, que era o facto de, como o Hotel ficava em frente à praia, na avenida onde passava o carnaval, todas as ruas estavam cortadas ao transito em seu redor e que não havia possibilidade do táxi nos levar sequer perto. A solução que o Pedro V.G. se lembrou foi: vamos pedir à polícia que nos escolte até ao hotel! O problema é que, segundo nos foi dito pelo sargento da Policia Militar, “À Pólicia não fais escoulta para civiu, ta entendendo?” , muito bem - respondi eu - não há problema, havemos de encontrar outra solução. Nesse momento o Pedro, decide interpelar o sargento no sentido de… de… de o subornar! Suborno aceite quase de imediato, e lá partimos nós em direcção ao hotel com um carro da polícia militar de sirenes ligadas e a abrir caminho ao nosso táxi. A chegada ao Hotel foi no mínimo, um momento que dificilmente esquecerei, porque só quem nunca esteve num carnaval no Brasil, é que não consegue imaginar a loucura e quantidade de gente! À medida que o carro se aproximava do Hotel a multidão começou a apertar o carro e a abaná-lo, connosco lá dentro e as malas no tecto. Pensei: vou ficar sem malas e vão virar o carro ao contrário! O Pedro só gritava” O que é isto? o que é isto? É a loucura total!!!
Depois desta chegada atribulada o resto só poderia ser melhor…
(continua)

Amigo Pedro,
ResponderEliminarPassei por aqui para te felicitar pelo teu espaço de partilha de experiencia e cultura.
Este blog demonstra bem aquilo que tu és um "bom vivan"..looool
Abraço
Tiago Morais
E a aventura na "selva" de Ilha Grande, hein hein?? repleta de cobras, e tarântulas, e jacarés, e sei lá mais o quê. Nem conto para não te envergonhar em público... Um abraço.
ResponderEliminarNão precisas contar, eu faço uma citação do que tu escreveste em "Pedro Nunes en vacances", da tua página pessoal.
ResponderEliminar"Fizemos mergulho, percorremos um pouco do interior da ilha, o suficiente para o Pedro entrar em stress com toda a "bicharada" (que aliás não apareceu...), fizemos praia e demos a habitual volta fantástica à ilha de escuna. Partimos muito a contra gosto após apenas dois dias de estadia."
Que saudades pá... bons tempos...
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